Bolsonaro age com desprezo à ciência e ao conhecimento – do INPE ao coronavírus
A foto de Jair Messias Bolsonaro em sua escapada do confinamento sanitário para trocar perdigotos com acalorados fãs em uma potencial disseminação viral tornou-se um ícone histórico. A imagem documenta quão insano pode estar o homem sentado na cadeira que comanda o país.
Antigos aliados como Janaína Paschoal jogaram a toalha. No caso da deputada estadual, ela quer a “imediata” remoção de Jair da Presidência da República, mesmo que seja necessário passar por cima do ritual de impeachment.
Mas voltando ao registro fático de Bolsonaro em meio aos seus seguidores – sem se importar com o risco de transmitir ou de ser infectado pelo coronavírus – há um termo clínico que precisa ser considerado.
A idiotia, hoje, na definição da Associação Americana de Deficiência Intelectual e Desenvolvimento (AAIDD), referência mundial na área, está enquadrada em um modelo multidimensional, considerado o mais completo e eficiente para explicar a deficiência intelectual. O modelo está pautado em cinco dimensões: habilidades intelectuais, comportamento adaptativo, participação, interações, papéis socais, saúde, contextos:
A Deficiência Intelectual é definida como limitações importantes que afetam o funcionamento intelectual, significativamente abaixo da média, acompanhado de limitações significativas no funcionamento adaptativo em pelo menos duas das seguintes áreas de habilidades: comunicação, auto cuidados, competência doméstica, habilidades sociais, interpessoais, uso de recursos comunitários, autosuficiência, habilidades acadêmicas, trabalho, lazer, saúde e segurança. O início deve ocorrer antes dos 18 anos (AAIDD, 2002).
Aparentemente, habilidades sociais e o uso de recursos comunitários são as áreas mais salientes para um diagnóstico, mas apenas a análise de uma junta psiquiátrica poderá jogar luz sobre as habilidades que mais encontram limitações.
Não há nada mais terrível do que ignorância ativa
A ignorância no poder pode ser fatal. O respeito ao cargo de presidente obriga aos interlocutores um tratamento devido que não encontra reciprocidade (como banana aos jornalistas e outras bazófia). E isso, por si só, já revela um nível de dissociação da realidade. Neste caso, a nação inteira trata o doente como são, enquanto o doente “tem certeza” que loucos são outros. Daí antigos aliados concluírem que a interdição psquiátrica é o caminho.